sábado, 6 de junho de 2009

sexta, 5.6.9, 9:50 às 12PM


Sentado na Praça de Serviços aqui na UFMG em um dia de céu aberto e um clima maravilhoso me pego pensando em várias coisas ao som de Luxúria.
As pessoas passam com calma, falta troco no caixa da lanchonete, as flores amarelas sobressaem em um contraste como o verde e o azul.
São pessoas de vários tipos: feirantes, mancos, estudantes, funcionários público, jardineiros, motoboys, idosos e eu. O quem vem ser o eu neste contexto? Para alguns um louco sentado com pernas cruzadas escrevendo um tanto de merda, um observador, um escritor ou apenas mais um em um mundo louco onde todos são insignificantes.
Da minha esquerda em direção para a direita vôo um pombo, ave esta, que vários têm nojo. Mas é livre! Sim, voa para onde deseja, talvez sem laços que o prenda em um local que as vezes não é desejado. Um local de sonhos que talvez nunca ocorram e ficarão perdidos na história.
Não quero colocar meus pés no chão, mas em alguns momentos sou forçado a tal. Passo a ser uma criança assistindo um filme de assombração.
Será que todos que passam aqui têm algo na cabeça? Algum objetivo? Ou vivem em uma direção imposta por outros? “Se não tenho nada pra falar é sinal que chegou a hora de fazer”.
O engraçado é pensar que quando se tem a liberdade, geralmente, não a usamos como gostaríamos nos momentos que não a temos. Como o pombo que passa novamente, imitando o mesmo vôo, na mesma direção. Não passaria nos mesmos lugares se eu fosse ele. Conheceria todos os lugares que ainda não tivesse desbravado. Ou não, falo isso SE fosse ele, mas vai saber o que o faz agir assim. Alguma nova paixão? Comida? Rotina?
Aos poucos as pessoas se aproximam. Tenho vontade de perguntar o que estão pensando neste momento. Será que é no trabalho? Nos filhos? No marido? Em tudo e nada ao mesmo tempo com eu?
A urbanidade é tão forte em nós que o som das máquinas aqui atrás de mim são o que menos me causam desequilíbrio para refletir algo. Convivemos diariamente com isso, já virou rotina como ver pessoas passando fome e pedindo esmola. Pessoas morrendo de bala perdida. O vento que nos conforta na solidão com várias pessoas ao redor.
Seria capaz de fazer uma bela coreografia agora. Será a minha que tenho que apresentar no final do curso de composição coreográfica daqui quatro semanas? Acho que não. Estarei diferente, em outro momento e hoje já terá passado e talvez ficado no inconsciente sem causar mudança alguma em mim.
Acho que as pessoas não estão mais naquela banca olhando alguma coisa e me deixaram para trás. Por que ter medo disto? Afinal posso ser mais um, porém um mais um que faz toda a diferença nos momentos difíceis.
Por que as pessoas que passam fumando parecem ser as mais interessantes? Pode ser por terem coragem de mostrar para o mundo que se matam consciente para terem alguns momentos de prazer e ou de charme.
Ao se prensar um cigarro de maconha, beber algo alcoólico, tragar um cigarro, dançar uma música que gosta, ir ao cinema, viajar, se busca algo em comum – PRAZER. Para que recriminar o prazer do outro então? Você tem o seu que muitas vezes não o mesmo que o meu, mas tudo é a mesma coisa, tudo tem o mesmo objetivo.
Os minutos passaram, agora não mais e tudo parece ser por um motivo – DEIXARAM ME SÓ! Se realmente for isso, sou ridículo, sou a Marcela, sou a Fernanda e acho que encontrei alguém, alguém que mesmo longe, às vezes está aqui dentro, pulsando algumas vezes em um só minuto. Acho que os cortes já cicatrizaram e as lágrimas no meu rosto já secaram.
Mais uma vida para este mundo. Tenho dó. Como será a sociedade daqui vinte anos? É exatamente este pensamentoquestionamento que faz eu não querer ter filhos. Acredito mesmo que tudo tende a piorar.
Meu coração disparou, arrepiei, uma lágrima escorreu. Estou em um lugar diferente dos outros. Um idoso passou mal, sentou na escada e em questão de segundo várias pessoas já estavam prontas para ajudá-lo. Agora estão lá dois seguranças da federal, um PM e um civil, tratam ele com carinho e atenção. Pena lá fora não ser assim.
Vou almoçar e quem sabe um dia volto!

Nenhum comentário:

Postar um comentário